Eles são confiantes, engajados e competitivos. Inquietos, são obcecados por disrupção, palavra-chave que, para eles, é mais do que um mantra, mas o modus operandi para movimentar os negócios no dia a dia. Estamos falando dos intraempreendedores, aqueles colaboradores que, dentro da própria empresa, assumem uma atitude proativa e autônoma que é capaz de promover impactos antes nunca imaginados para os seus negócios. Parece utopia, mas essa forma de trabalho é bem mais real e possível do que você imagina. Está caminhando para, inclusive, ser o ingrediente básico de qualquer receita de sucesso das empresas hoje — e no futuro.

Então, prepare-se, pois você está diante do manual que precisava para dar aquele gás na firma, sem ter que abrir a porta para novos convidados. A revolução começa em casa e, a seguir, contamos como isso tem a ver com o intraempreendedorismo.

Intraempreendedorismo: o que é? Do que vive?

Para entender o que é intraempreendedorismo, podemos resgatar as suas primeiras menções, lá no final dos anos 70. É isso mesmo: o conceito já existe há décadas! Em 1978, o empreendedor e escritor Gifford Pinchot III definiu essa forma de trabalho e perfil de profissional  como “sonhadores que fazem”. Ele ainda acredita que esse profissional, mesmo dentro de um contexto corporativo mais quadrado e hierárquico, acaba trazendo a mesma força e resiliência que um empreendedor deposita em sua startup. 

Dessa forma, já encaramos essa forma de pensar como uma premissa básica para a gestão das empresas que querem dar o próximo passo quando o assunto é inovação e acompanhamento dos novos tempos que vivemos. Aqui, é recomendável o desapego aos caminhos tradicionais e uma disposição para abraçar novos riscos, que, com certeza, nas mãos de um time criativo e ousado, vão fazer a diferença para os resultados. 

Passos para ter um ambiente intraempreendedor para chamar de seu

Em 2015, a Deloitte publicou uma das pesquisas mais completas sobre intraempreendedorismo — e, quatro anos depois, o estudo ainda segue relevante. A partir de entrevistas com empresas que aderiram ao conceito, a consultoria levantou cinco insights necessários para que uma empresa esteja confiante ao adotar essa essência em seu modelo de gestão: 

  1. O Intraempreendedorismo está ligado a uma cultura organizacional focada em pessoas, com um modelo de gestão bottom-up que permite o desenvolvimento de inovações radicais dentro da empresa
    Empresas que investem nesse modelo desafiam o establishment ao navegarem contra a maré. Hoje, com a ascensão das startups, observamos que, muitas vezes, as empresas caem na tentação de buscar a inovação por meio da grama do vizinho, ou seja, ainda é muito forte a cultura da incubação, em que  empresas tradicionais investem na aceleração de novos negócios para que, dessa forma, encontrem a resposta para muitos problemas que, aparentemente, não seriam capazes de resolver com o próprio time. 

    No entanto, um olhar intraempreendedor reconhece que a lição começa a ser feita dentro de casa. O foco está em desenvolver e escalar ideias que nascem dos próprios colaboradores.  Afinal, esses profissionais não dão match com estruturas muito engessadas de hierarquias de gestão. Rotinas e atividades repetitivas também estão fora do seu vocabulário. E aqui também entra um conceito muito importante para esse modelo: o bottom-up, modelo de gestão de baixo para cima. Nele, as decisões são horizontais e levam em consideração a troca de ideias entre os colaboradores, que contam com mais autonomia para a tomada de decisões. Vale desafiar os limites da empresa, repensando produtos e serviços existentes, desenvolvendo novas capacidades técnicas para a empresa, e realizando uma busca incansável por modelos disruptivos de processos.
  1. Mais inovação, desenvolvimento de talentos e cultura forte: intraempreendedorismo é um investimento no crescimento da empresa
    É necessário estar preparado para o impacto do intraempreendedorismo. Redução de custos, agilidade nos processos e métodos mais criativos são algumas das capacidades mais valiosas, que deixam de lado qualquer manual, em busca de respostas para necessidades que, nem sempre, estão visíveis, mas ainda representam gargalos ou ameaças para o futuro dos negócios. 

    E, para a empresa, permitir-se ao intraempreendedorismo também é uma receita para a sobrevivência: afinal, estamos diante de uma batalha por retenção de talentos. Hoje, ainda contamos com uma gama reduzida de profissionais com as principais habilidades necessárias para o desafio da transformação digital que impera nossos tempos. Para tê-los no seu time, é preciso muito mais do que um pacote de benefícios: os profissionais estão em busca de propósito e vão trabalhar em lugares em que seus valores, além de estarem alinhados à empresa, também serão fundamentais para construir os novos capítulos da sua história. 

    Logo, investir em nesse método é garantir ter nomes de peso dentro da empresa, algo fundamental quando estamos falando em competitividade de negócios. 
  1. Não é sobre criar colaboradores intraempreendedores. É sobre encontrá-los e reconhecê-los
    Intraempreendedores não precisam ser criados do zero. Eles já estão dentro da empresa. Mas é necessário dar espaço para que assumam sua verve criativa. E ter um olhar atento quando o colaborador, no caso, ainda é um candidato em potencial para uma vaga na empresa. Treine seu time de RH para ajudar a reconhecer o intraempreendedor já no processo da seleção. Deixe as exigências técnicas de lado — procure aqueles que não se intimidam diante de desafios, que, diante de problemas, os tratam como quebra-cabeças instigantes e que levam a soluções criativas. Já abordamos como o treinamento corporativo, posteriormente, pode ajudar a empresa a desenvolver tecnicamente seus colaboradores, então seja mais flexível quando estiver em busca de novos talentos.
  1. Intraempreendedores conhecem as regras e sabem como quebrá-las de modo eficaz
    Visão, preparação e implementação. São os três passos básicos percorridos por todo intraempreendedor que não se intimida diante de regras. Mas planejam como vão quebrá-las. É necessário enxergar oportunidades onde ninguém vê. Criatividade é fundamental para pensar em ações que vão superar barreiras. E para vendê-las ou tirá-las do papel, esse profissional vai se preparar para convencer seus superiores diante delas. Por isso, estar em uma empresa que disponibilize recursos para esta preparação faz toda a diferença. E, por fim, com o cartão verde em mãos, um time intraempreendedor faz acontecer ideias independentes e focada em resultados rápidos, mesclando seus skills de liderança e de proatividade com aqueles que lhe dão um senso acurado sobre os negócios da empresa e como ela pode alcançar o próximo nível.
  1. Intraempreendedores demandam um método diferenciado de gestão
    E, por fim, grandes intraempreendedores podem morrer na praia se não contam com o apoio dos seus superiores.  É necessário criar uma cultura de incentivo em prol do “vai lá e faz”. Recursos físicos e financeiros para a implementação de ideias são o básico, mas e quando o time não sabe dar o primeiro passo para despertar esse espírito dentro de si? Investir em cursos  e estabelecer metas de curto a longo prazo (e que acarretem em compensações materiais para o colaborador), são algumas das cartas certas para  tirar a timidez do time e garantir que o intraempreendedorismo seja a sua força motriz de trabalho.

Cases de intraempreendedorismo

O intraempreendedorismo até pode parecer novo para muitas empresas mas, como já falamos anteriormente, seu conceito acadêmico foi criado há mais de três décadas. Desde então, podemos encontrar vários cases de empresas que o abraçaram sem medo ou que foram levados a assumi-lo em situações que representaram um verdadeiro divisor de águas para os seus negócios:

  1. Apple – Para que o histórico computador Apple Macintosh saísse do papel, Steve Jobs aliou-se a um grupo de vinte funcionários da Apple, dispostos à criação de algo novo, munidos por uma liberdade que estavam dispostos a manter, nem que fosse às custas da quebra de diversas regras da empresa. O resultado todos nós conhecemos, e, até hoje, o case da Apple é um bom exemplo de como o intraempreendedorismo garantiu, lá atrás, que muitas empresas vivessem os primórdios da transformação digital e se mantivessem na vanguarda do movimento até hoje. 
  2. Gmail – Já contamos aqui a importância de um mindset de liderança entre os colaboradores, um fator crucial para a implementação de uma cultura intraempreendedora. É o caso do Gmail, que surgiu no coração do corpo de colaboradores do Google. É sempre bom relembrar o case, afinal, a empresa tem em seu DNA essa cultura, uma vez que, desde sempre, dedica parte da carga horária da sua equipe para o estudo e implementação de ideias novas e que surjam no modo bottom-up que já comentamos. 
  3. Kodak – Um exemplo do que não fazer com os primeiros sintomas de intraempreendedorismo que forem identificados entre seus colaboradores. Quando trabalhava para a Kodak, o engenheiro elétrico Steve Sasson criou a primeira câmera digital de que se tem notícia. No entanto, quando ele apresentou sua invenção para o alto escalão de executivos da Kodak, o grupo enxergou uma ameaça no produto, uma vez que a empresa ficou conhecida pelo encanto nostálgico de suas câmeras analógicas. A câmera nunca foi prototipada e, em 2012, a Kodak pediu falência, uma vez que não estavam preparados para competir com mercado do digital, que já tinha conquistado o público.

Seu time não sabe como começar? Deixa que a gente ensina!

A habilidade para o intraempreendedorismo pode ser desenvolvida de diversas formas, basta ter um time disposto a encará-lo sem medo. Na Sputnik, desenvolvemos um curso que vai te ajudar a ter uma equipe mais engajada e intraempreendedora: o “Vai lá e faz” trabalha com princípios básicos de liderança e autoconhecimento que vão despertar o dono que existe dentro de cada um. Nunca foi tão fácil aprender a pegar as chaves da empresa sem medo de ser feliz. Saiba como aqui