Lembra daquele profissional enaltecido no universo corporativo, que dava check nas tarefas quase mecanicamente e cumpria ordens sem questionar? Então, ele está cada vez mais fora de moda e a gente conta, abaixo, o motivo. 


Até a década de 90, reinava a lógica do universo corporativo paternalista, que entregava nas mãos de seus colaboradores um plano de carreira pré-definido. Dali para a frente, cabia ao profissional galgar os degraus de acordo com a cartilha ditada — e quem seguia à risca, obviamente, acabava se dando melhor. Mas, ao final da década, as mudanças econômicas, a imprevisibilidade dos negócios e, principalmente, a transformação digital começaram a derrubar esse modelo já um tanto obsoleto. 

Se antes a média de permanência nas empresas era de 12 anos e meio, agora a necessidade de ajustes rápidos nas estruturas fazia com que a empregabilidade se tornasse (ainda) mais instável. O plano, antigamente linear, começou a ganhar outros contornos e passamos a nos movimentar mais entre um trabalho e outro. Ao mesmo tempo, chefes e RH deixaram de ter, na ponta da língua, todas as respostas e diretrizes que a equipe precisava ou esperava. Foi nesse cenário que o protagonismo despontou como solução para o desenvolvimento de profissionais mais independentes e confiantes, que exercem, de fato, o poder de escolha. Aqueles que passaram a apostar em autoconhecimento e a desenvolver maior senso de responsabilidade começaram a contribuir não só para a diversificação do conceito de trabalho, mas também para relações profissionais mais saudáveis e para um mercado mais dinâmico. E, agora, vem a boa notícia: o protagonismo é uma skill que pode ser desenvolvida e nutrida e que é, sim, possível para qualquer pessoa. 

“Todo mundo é protagonista em alguma coisa. Pra mim, pela minha experiência principalmente com o intraempreendedorismo, o que fica claro é que temos de entender o que faz nosso coração bater, o que faz a gente ter tesão e vontade de fazer algo além do que só o que simplesmente nos mandam executar. É muito importante entender que a motivação não é algo externo, mas uma fagulha interna. E ela só vai aparecer em cima de algo que faça sentido para você.” 

Mariana Achutti, founder e CEO da SPUTNiK

E por falar em intraempreendedorismo, um breve desvio no artigo para indicar um material precioso desse braço essencial do protagonismo: o texto É criatividade que você quer? Comece a pensar em intraempreendedorismo e o artigo The Intrapreneurship Evolution, em inglês, com quatro razões do porquê tal cultura pode transformar a narrativa do universo corporativo.
Leituras para abrir, por aí, a caixinha de ideias 🙂

Agora, voltemos.

A mudança de mindset 

Embora o conceito de Protagonismo profissional já demonstre, na prática, inúmeros benefícios, sua implementação ainda enfrenta a mentalidade vigente no século passado. Desde a virada do milênio, o Instituto Gallup realiza pesquisas sobre o engajamento profissional em diversos países do mundo. Um dos itens estudados (expectativa do plano de carreira) aparece nos três pontos de maior valorização das pessoas em 80% dos estudos. 

É aí que empresas avant-garde tomam a dianteira. Aquelas conectadas com o espírito do tempo já estão olhando para a temática e, inclusive, trazendo a discussão (e a prática) para o dia a dia corporativo. Em 2019, o iFood reuniu 80 funcionários de sua equipe comercial, em São Paulo, para uma imersão no curso Vai lá e faz. Durante um dia inteiro, nossos professores facilitaram experiências para que os participantes aprendessem a construir espaços que valorizassem a caminhada de cada um — criando, assim, times mais autônomos, protagonistas e inovadores dentro da organização. 


Ao universo corporativo, fica, então, o desafio de preparar lideranças para receber essa nova geração de protagonistas, criando ambientes em que se sintam livres para opinar, sugerir, agir, inovar. O chamado é agora: ou nutrimos essa nova skill entre nossas equipes ou teremos profissionais atuando ainda no mindset antigo, esperando que sejam guiados pela mão até um determinado posto hierárquico. E, convenhamos, em um mundo cada vez mais complexo, queremos um time capaz de responder, com autonomia, aos desafios que aparecem durante a escalada, não é mesmo?