Experimente digitar no google conflito + dicas e você vai ver uma enxurrada de manuais: “8 dicas sobre o que não dizer em uma briga com os filhos”, “7 coisas que você não sabe sobre casais que estão sempre brigando”, “4 soluções para evitar brigas no trabalho”. Mas será que não seria mais benéfico, em vez de tentar a todo custo evitar conflitos, saber como resolvê-los?

Se você é uma liderança, então, essa soft skill é essencial. E para conseguir aparar arestas do seu time, é necessário, antes de qualquer coisa, ter uma postura paciente frente às demandas, exigências e reclamações de quem está em pé de guerra. 

Vale a pena esperar a bomba estourar?

É exatamente isso que você se pergunta quando uma situação de conflito é iniciada no escritório. Independente se o motivo é pequeno ou realmente grave, o pavio é aceso, dá o play no timer e a partir daí você tem duas escolhas: ou deixa a bomba explodir ou descobre o código para desativá-la. Essa decisão deve ser acertada porque depois que o conflito começar, pode ser um caminho sem volta. É bem verdade que os conflitos são parte da natureza humana, e cada um lida com eles de acordo com a personalidade, os interesses, os valores, afinal somos diferentes e é exatamente aí que o bicho pega.

Duelar é algo que o ser humano faz desde que o mundo é mundo, e em vez de lutar por comida, o profissional luta por espaço, por visibilidade, por reconhecimento. E quem disse que o embate é sempre negativo? Ok, é o que aprendemos desde cedo, mas talvez valha passar a olhar o conflito sob um novo viés: eles podem ser sim bem prejudiciais (o que rima com judicial, que é o status máximo que um confronto pode alcançar), mas em contrapartida podem ser benéficos. A divergência de ideias pode ser o primeiro (e árduo) passo para impulsionar a empresa rumo a grandes mudanças positivas. E quem vai ser responsável por definir em qual categoria o conflito se encaixa? Você, que por entender que suas decisões podem mudar o rumo da discussão, vai saber exatamente para qual lado seguir porque entra na batalha para ganhar junto com sua equipe e, mais do que isso, aprender muito com todos os integrantes.

 

Onde tem pessoas, os conflitos são inevitáveis, o que não significa que sejam imbatíveis. Opiniões divergentes se chocam, é fato, e o resultado vai ser a melhor combinação entre os interesses envolvidos, a razão e a mediação para encontrar o denominador comum que leva à solução. Emoções e aflições movem a disputa, e a paciência para conversar e se entender será a virtude que se destaca para resolver o impasse entre colegas de trabalho que querem continuar convivendo em harmonia. Muitos são os motivos que podem desencadear um conflito, entre eles falha na comunicação/interpretação, objetivos divergentes, imposição de novas regras e procedimentos, posturas abusivas de poder, prazos irreais, mudanças na cultura empresarial, incapacidade de controlar as emoções, expectativas frustradas, estresse sem fim. Umas pessoas têm mais facilidade do que outras de encarar o cenário de frente, refletindo sobre o que seria a melhor decisão, outras apenas não conseguem se conter e perdem o que pode dar fim ao combate: a paciência.  

Declare guerra à falta de paciência

Em 2011, o Instituto Scheinman em Resolução de Conflitos, da Cornell University, nos Estados Unidos da América, consultou 368 empresas do ranking da Fortune 1000, publicação de destaque no meio empresarial. Segundo a pesquisa, 98% das empresas entrevistadas usaram a mediação ao menos uma vez nos três anos anteriores. Esse número, por si só, impressiona, porém igualmente importante são os dados relativos à frequência com que a mediação foi usada pelas empresas no período: a maioria (85,1%) utilizou-se constantemente (índice que soma 37,5% das entrevistadas que utilizaram de modo ocasional, 45,8% de modo frequente e 1,8% sempre), enquanto uma minoria (14,9%) utilizou apenas raramente ou nunca. Questionadas sobre a política de abordagem de conflitos, quase 60% das empresas declararam preferir se valer de tais meios alternativos, incluindo mediação e arbitragem.

A mediação, por exemplo, é uma estratégia positiva adotada pelas empresas em vez de tentar, em vão muitas das vezes, negar ou evitar as situações conflituosas, e apostar no diálogo saudável e harmonioso é o meio para gerir a luta travada entre as partes. O mediador pode ser um colaborador do RH, o líder da equipe ou qualquer outra pessoa que se encaixe no perfil imparcial e paciente para focar nos interesses dos envolvidos, o que inclui a empresa também. Com o conflito já instaurado, é necessário apurar os fatos, ouvir todas as versões da história e identificar possíveis soluções antes de optar por uma resolução que favoreça a todos. É fundamental que, em um segundo momento, essa resolução seja acompanhada de perto pelo mediador para monitorar os desdobramentos e a evolução do embate para gerar impactos positivos ao clima organizacional.

As divergências que estavam atravancando os processos se transformam em respeito, as concessões passam a ser um avanço e o diálogo a arma certa para alcançar o equilíbrio, em canais sempre abertos para uma comunicação efetiva, sem derrotas ou baixas no time. No conflito, ser paciente é um triunfo em meio às reações que podem ser divergentes e conflitantes para serem transformadas em convergentes. Parece uma tarefa difícil, e é. Dá uma olhada em como você pode agir para não ficar no meio do fogo cruzado, e sim estar pronto para hastear a bandeira da paz. 

Colocando a paciência em prática

O modus operandi dentro do universo corporativo evoluiu, e hoje existem pessoas muito diferentes trabalhando juntas, e como você bem sabe, a diversidade é positiva em todos os sentidos, até mesmo para o conflito que tem suas faíscas acesas exatamente pelas diferenças. Em empresas que trabalham com métodos ágeis, por exemplo, jovens se encontram com profissionais mais experientes e, o que poderia detonar a bomba passa a ser o que motiva a rotina na qual conflitos até existem, mas são resolvidos asap porque todo mundo tem voz ativa e responde junto pelos processos, mesmo tendo um líder no comando. Só que esse líder não é o que manda, e sim o que conecta. Quer saber como? A gente te conta com dicas em forma de palavras-chave para você acalmar os ânimos antes de resolver todos os atritos:

Visão

Abrir os olhos para as divergências tendo todo o cenário como foco é o primeiro passo para enxergar a solução.

Identificação

É o contrário de evitar a batalha que está sendo travada, agindo bem na ferida onde tudo começou para que seja evitada no futuro.

Ação

Agir rápido para mediar o conflito porque sabe exatamente que um problema não deve ser maior do que realmente é.

Colaboração

Agir junto porque hierarquia não existe onde todos são responsáveis pelo resultado final. Diferenças geram discordância, e o potencial de aprendizado nessa mistura é único.

Equilíbrio

Superar situações de crise é encontrar o denominador comum que traz a calmaria onde tinha uma guerra minutos atrás.

Negociação

Ouvir e ser ouvido é o que cria pontes que com certeza vão levar você e sua equipe na direção contrária do lugar nenhum.

Autocontrole

Dentro do cenário de conflito, perder a calma, ter um acesso de raiva e se descontrolar emocionalmente bota tudo a perder.

Vale ressaltar, de novo, que os conflitos são inevitáveis, e isso é a chave para entender que o desafio é ter paciência para saber lidar com todos eles. Vamos juntos?

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