6 dicas para que você se torne mais autônomo nos seus processos de aprendizagem

 

A aprendizagem ao longo da vida está intimamente associada ao desenvolvimento da capacidade de aprender de forma autônoma. Nesse sentido, as questões relacionadas ao ensino, que são mais destacadas nos resultados relacionados ao Lifelong Learning, se concentraram na minimização da instrução, o que é um grande desafio para os novos ecossistemas de aprendizagem, dado o peso da tradição nas instituições formais de ensino centradas no professor. 

O mundo está cada vez menos convencional, e isso pede que o nosso aprendizado também saia do lugar comum, concorda?! A gente não pode mais depender da sala de aula, do professor, do curso online para continuar a aprender. Hoje, mesmo antes da pandemia começar, o aprendizado tem uma nova ótica, a de que vamos aprendendo com nossas experiências de vida, com as pessoas ao nosso redor, e por isso o Lifelong Learning se tornou um conceito tão importante não só para os profissionais, mas para as empresas do futuro que estão se tornando também espaços de aprendizagem para seus colaboradores. Se a gente não evoluir juntos, nenhum método de ensino faz mais sentido.

Aprendizado do futuro hoje

Estamos entrando em uma nova realidade, um pouco desconhecida, mas já vínhamos recebendo sinais de que a sala de aula entre quatro paredes não ia durar – ou pelo menos, não seria mais o ambiente adequado para a educação. De acordo com Andréia Matos, a pesquisadora por trás da nossa nova pesquisa sobre Lifelong Learning, “a importância crítica das instituições de ensino não se limita a ser um local de aprendizado, mas de socialização, assistência e treinamento, da comunidade e do espaço compartilhado. A pandemia está fornecendo insights sobre como é o desenvolvimento e a aprendizagem humana, permitindo que ela passe potencialmente da disseminação de conteúdo apenas para o aumento do relacionamento com os professores, a personalização e a independência”. 

Os processos tradicionais de aprendizagem há muito já são questionados, dada a origem e o modelo fordista que o nosso sistema educacional segue, em completo descompasso com a configuração do mundo contemporâneo. Como a ideia de aprendizagem ao longo da vida traz intrinsecamente a ideia do indivíduo adquirir uma certa autonomia no processo de aprendizagem, é fundamental que para isso tenhamos como base a capacidade de aprender, refletir e gerar conhecimento, mais do que apenas absorver informações de forma automática e pouco crítica como tradicionalmente se pensava o aprendizado. 

Aqui, listamos seis dicas para que você tome as rédeas do seu processo de aprendizagem — e para que desaprenda a aprender para aprender de novo. E para isso, pedimos a ajuda de profissionais especialistas em convidar pessoas a saírem de sua zona de conforto para se aventurar por onde o conhecimento quiser levar, sem medo nem limites. Pega na nossa mão e vem junto se redescobrir!

1 – Faça um auto-hackeamento

Não, você não leu errado! A dica da Mariana Achutti, CEO e Co-Founder da SPUTNiK, é para você entender nessa auto-avaliação, de forma macro, quais as habilidades que precisa desenvolver, que vão ser interessantes para o seu repertório pessoal e profissional, sem se deixar afogar nesse mar de informações e possibilidades que é o mundo (real e virtual). Use sua curiosidade para ir em busca dessas skills, identificando dentro das suas necessidades, o que faz sentido para você criar o seu próprio plano de aprendizado. “Existe muito curso gratuito, muita informação disponível, e por isso uma boa curadoria é essencial para seus esforços de aprendizado serem válidos”.

2 – Seja humilde

A gente sabe que essa é uma dica para a vida, mas quando falamos de Lifelong Learning, a humildade, como contou a Andréia, é a palavra-chave para você assumir, para si mesmo e para outro, que você não sabe de tudo. Quando você se abre desse jeito, aceita que pode aprender com todas as pessoas e em todos os lugares em que estiver. E vai ser lindo demais, pode acreditar!

3- Organize suas informações

O Jean Phillipe Rosier, sócio da Perestroika e da SPUTNiK, dá uma dica pessoal e bem bacana para quem quer assumir as rédeas do próprio aprendizado. Para ele, isso tem tudo a ver com a maneira com que a gente organiza as informações novas que a gente adquire, seja algo que a gente leu, seja algo que a gente ouviu, que a gente viu em algum lugar, como um documentário ou filme, seja onde for. “Eu separo as minhas anotações em duas partes: meu caderno de anotações não tem linhas, assim eu posso escrever e desenhar, e eu sempre faço uma linha vertical que separa cada folha em dois lados; no lado esquerdo eu anoto as coisas que foram ditas, ou seja, que eu li, assisti ou li exatamente como foram ditas, isso são os fatos que eu consumi. No lado direito, eu anoto a minha versão, como eu processei todas essas informações, criando a minha maneira de dizer aquilo que acabei de absorver, com minhas palavras, meus exemplos, meu repertório. E isso é de uma profundidade e eficiência incríveis porque, primeiro, a gente está anotando, reforçando o conhecimento; e segundo, a gente está criando em cima daquele novo conhecimento, potencializando o nosso processo de memorização daquela nova informação”.

4- Aflore sua curiosidade

Ser curioso é o que nos faz ir em busca do novo, de vasculhar outros universos, desbravar aquilo que ainda é desconhecido ou o que você sempre teve medo de conhecer. Assim como a Mari disse, lá na primeira dica, é importante ser curioso mas sem se perder pelo caminho lotado de novas informações. E a Andréia completa dizendo que é muito interessante para o aprendizado independente que você mantenha essa atitude de curiosidade e abertura para o mundo para conseguir expandir seus horizontes de verdade. “Acho que isso acontece no sentido de não se contentar com a primeira ideia que é apresentada sobre algo para você. É tentar entender de onde vem a ideia, o por quê das coisas serem como são, como fazê-las. Nutrir uma curiosidade que faz você ir atrás de conhecer a fundo, e estar aberto pra receber esses saberes ao longo da vida”, conta Andréia.

5 – Transforme-se em especialista

Se engana quem pensa que ser um especialista é saber tudo sobre determinado tema. Ninguém sabe tudo porque as coisas mudam o tempo todo. Mas você pode ser um especialista em algo porque se dedica a conhecer esse algo, se aprofunda, se atualiza. Para Jean, ser um especialista é desenvolver a capacidade de criar analogias e metáforas, e ele parafrasea seu sócio Felipe – quem dá a nossa próxima dica – quando ele diz que “metáforas são as regras de 3 do pensamento, e eu adoro essa explicação porque ela é uma metáfora para explicar o poder que a metáfora tem”. Jean explica que as metáforas são muito poderosas porque são exemplos de um universo diferente daquele que a gente está querendo criar, e são referências que fazem parte da gente. “Você só consegue fazer uma metáfora de algo que você domina, que você conhece a fundo, que eu sei perfeitamente como funciona para conseguir integrar a essa nova teoria, uma nova forma de pensar que queremos internalizar. Quando a gente consegue desenvolver o superpoder de criar metáforas, a gente está automaticamente internalizando aquele conhecimento e combinando ele com algum repertório prévio que a gente já possui, o que também ajuda e muito o processo de memorização e assimilação de novos conhecimentos”.

6 – Pare de esperar por dicas!

Pode parecer contraditório, mas Felipe Anghinoni, professor e fundador da SPUTNiK e da Perestroika, acredita que “se você está só esperando por dicas, você já está atrasado!”. Ele é o defensor da nossa metodologia híbrida do “vai lá e faz” porque já se foi o tempo em que o aprendizado fica esperando por você, e isso mostra que talvez você ainda não entendeu qual é o enunciado do problema que quer resolver. “Por quê eu digo isso? Porque eu não acho que é difícil o paradigma de assumir o protagonismo do seu aprendizado, ele parte de coisas simples, como se dar conta de que é preciso aprender algo, que a informação está bem aí, disponível para todos, e que sempre vai existir algo novo para ser aprendido. Quando você se dá conta disso, a sua opção vai ser escolher se você quer fazer parte dessa revolução ou não. Se você quer, é meter a cara para reaprender a aprender, que é você se dar a chance de ir e descobrir o novo, sem esperar alguém para te ensinar a aprender. Isso está dentro de você: a vontade de aprender, de buscar conhecimento através de assuntos que façam sentido na sua experiência de vida”. 

Então, chegou a hora de fazer isso por você mesmo, de se jogar na metodologia do “vai lá e faz” porque você só precisa dar o primeiro passo para mergulhar num universo infinito de novos conhecimentos. Vai lá e começa, vai lá e pesquisa, vai lá e troca experiências, vai lá e joga no Google, vai lá e toma a atitude de reaprender a aprender todos os dias.

A SPUTNiK quer saber: como é o seu aprendizado autônomo, no que você se inspira para ser um aprendiz ao longo da vida?