Descubra o que os millennials podem nos ensinar sobre a atualização contínua de habilidades

 

Depois que essa pandemia louca passar, vamos viver um novo cenário, algo que desconhecemos e que temos que aprender a lidar com. Porque não só a vida lá fora vai ser diferente, mas dentro das empresas tudo vai se ressignificar, e o mercado pode passar a exigir de você habilidades que estavam, até então, esperando para serem descobertas, aprendidas, ou apenas colocadas em prática. 

Há muitas discussões a respeito da geração millennial, mas se tem algo que os nascidos entre a década de 1980 e 1995 possuem é a faísca de um desejo constante de aprender — para além das cadeiras do aprendizado formal. Um curso informal aqui, um certificado de aprendizado não formal acolá: por que é tão imprescindível, ainda mais no contexto que estamos vivendo, que os profissionais não se deixem estagnar na formação acadêmica? 

Um profissional que se atualiza constantemente é um profissional mais conectado com o espírito do tempo e com as demandas contemporâneas. É aquele que ultrapassa as paredes de uma sala de aula convencional para aprender através do olhar do outro, das vivências pessoais, da sociedade que nos cobra noite e dia a ser melhores. E a gente quer ser melhor, quer evoluir. Só precisamos entender que já estamos fazendo isso desde que começamos a aprender a pedir comida quando bebês, por exemplo. Por isso, o Lifelong Learning é algo natural, uma demanda das nossas próprias necessidades, e o caminho para chegar aonde a gente merece estar.

Os jovens, cheios de vontade e energia, têm muito a nos ensinar sobre isso, concorda?! Muito facilmente, eles entenderam que planejar é um importante primeiro passo para o resto de suas carreiras, e que participar de pelo menos um programa de capacitação por ano é o mínimo que podem fazer para continuarem relevantes no que escolheram trabalhar. Para os millennials, os anos que passaram no colégio e depois na faculdade foram apenas o início de todo o aprendizado que eles querem conquistar ao longo da vida, é um tempo que não se esgota como muitos de nós, mesmo que inconscientemente, fomos ensinados a acreditar. Se “fechar” dentro de uma função específica que escolhemos exercer tão cedo e, muitas vezes, ainda imaturos, deixou de fazer sentido, e esses jovens dão um show quando o assunto é não parar de aprender nunca.

Os modelos tradicionais de aprendizado focados em muita teoria já não preparam ninguém para o trabalho e nem para a vida no século 21, e se você parar para pensar nessa pandemia, por exemplo, vai perceber que nenhum livro poderia nos preparar para o que estamos vivendo e, mais do que isso, para o que vem a seguir. Como disse a historiadora e antropóloga Lilia Schwarchz, o século XXI só irá começar depois da pandemia causada pelo novo coronavírus porque todo século precisa de um grande acontecimento para marcar o seu fim e o início do próximo, e esse “está dando uma rasteira em todos nós, nos mostrando que não somos tão invencíveis como imaginávamos e ainda mais vulneráveis, escancarando todas as nossas desigualdades”. E como você vai ver na nossa nova pesquisa sobre Lifelong Learning, feita pela Andréia Matos, a educação de adultos é estrategicamente importante porque, através dela, o presente das sociedades pode ser assegurado, assim como nossa capacidade de gerenciar essa crise, mitigar suas consequências e, eventualmente, superá-la, afinal somos dotados de conhecimento e habilidades adquiridas ao longo da nossa vida.

Millennials têm sede de quê? 

Os millennials parecem ter, em sua essência, essa facilidade com a aprendizagem disruptiva, que levam para suas carreiras profissionais marcadas pela sede de inovação. Por praticarem o que entendemos por Lifelong Learning, eles se sentem constantemente motivados porque sabem que o aprendizado vai satisfazer necessidades que buscam suprir, como autonomia, domínio e propósito, que levam os indivíduos a serem independentes para estabelecerem suas próprias metas educacionais, e escolher não parar de aprender é o que os faz evoluir sem limites. Em um estudo divulgado pela revista Forbes, nos Estados Unidos, cerca de 89% dos representantes da geração Z (15 a 21 anos) e 79% de jovens millennials (22 a 28 anos) disseram que podem optar por não ir à faculdade por enxergarem um caminho menos convencional na educação como uma boa ideia, e mais de 30% da geração Z e 18% dos millennials disseram ter considerado um ano sabático entre o ensino médio e a faculdade, o que pode resultar em uma mudança de carreira ou pelo menos novas escolhas profissionais (e eles sabem que não tem nada de errado nisso porque é difícil escolher o que se quer fazer da vida aos 18 anos!). Uma outra preocupação desses jovens, ao procurar emprego, é saber se a empresa pretende ajudá-los a obter novas habilidades capazes de aprimorar a execução dos trabalhos.

Partindo dessa nova demanda, muitas empresas estão preocupadas em serem esse hub de conhecimento que os profissionais esperam, oferecendo espaços e oportunidades de capacitação in company. Não apenas as vagas, mas as empresas estão se redesenhando, se adaptando e transformando o tradicional mindset para serem escolhidas por esses profissionais do futuro, que sabem exatamente o que querem e lutam por suas conquistas com unhas, dentes e muito conhecimento. As empresas – e a gente também – estão aprendendo com os millennials que o Lifelong Learning não é apenas parte integrante da carreira profissional, mas parte essencial do sucesso individual a longo prazo, com prioridades de trabalho bem diferentes do que estávamos acostumados no século passado (ou mesmo no ano passado). Os colaboradores das empresas, principalmente os millennials, estão, cada vez mais, aprendendo de forma independente, criando suas próprias ferramentas e métodos, e também investindo seus salários em aprendizado.

“A educação não é só para os jovens. Isso é outro problema que temos com a educação da forma como ela é hoje. As pessoas acham que o período de educação na vida acaba. Se você tem um sistema de educação acessível por computadores, então qualquer um, de qualquer idade, pode aprender sozinho. Se você gosta de aprender, não há razão para parar em uma determinada idade.” 

Isaac Asimov

Seguindo as descobertas da nossa pesquisa sobre Lifelong Learning, a educação do futuro – que já é o presente para a maioria dos millennials – se baseia em 3 pilares, que são as inovações digitais, a inteligência artificial e o cérebro, e com toda essa desintegração da escola como padrão imutável, chegamos hoje a um relacionamento bem mais individualizado com a educação. E isso não acontece só porque o mundo está digital, mas sim porque o indivíduo está aberto para aprender em qualquer lugar, sob todos os vieses, através das mais diversas plataformas. “Nessa trajetória individualizada de uma “economia de talentos”, a pressão para tomar decisões sempre novas, para mudar continuamente de orientação, é interiorizada de maneira mais ou menos clara pelos próprios indivíduos. Essa tendência à individualização das trajetórias de vida e a obrigatoriedade resultante de uma contínua reflexividade sobre suas próprias ações conduziram a uma forma de modernidade chamada de modernidade reflexiva, que requer competências novas, “flexíveis”, que só podem ser construídas e desenvolvidas nos processos de aprendizagem ao longo da vida”, revela Andréia ao falar debater a aprendizagem individualizada.

E a sede deles vai mudar no pós-pandemia?

Muito pelo contrário! Os millennials já estão aprendendo que muita coisa precisa mudar, mas a sede por novos conhecimentos é o que vai ser ainda mais aflorada. Se antes disso tudo começar, os jovens estavam sedentos por aprender, num futuro bem próximo eles vão querer colocar em prática tudo o que (re)aprenderam, descobriram, inventaram nesse período de “reclusão”. E as empresas que não aceitarem isso como características do novo profissional, vão ficar na contramão da evolução que começa no indivíduo mas beneficia todo mundo: o trabalho, a performance e a construção do futuro que pensávamos que estava sendo construído, mas se revelou como algo desconhecido e desafiador.

Lá em 2016, a pesquisa Millennial Careers: 2020 Vision report from Manpower previu um futuro com com aprendizes potenciais que investem tempo e dinheiro em treinamento pessoal ocupando 35% da força de trabalho global, 93% deles desenvolvendo habilidades importantes para a carreira; no Brasil, mais de 90% dos jovens disseram que o fator mais importante ao procurar emprego não era o dinheiro, mas a oportunidade de trabalhar com pessoas interessantes e que acrescentem ao desenvolvimento deles. Ter skills que atendam ao que o mercado pede e ter a segurança de estar preparado para manter um emprego em longos termos são outros dois fatores que os millennials valorizavam.

Para os millennials, Lifelong Learning conduz à felicidade, e mais importante, a uma vida com significado, saudável e prazerosa. Além disso, estar conectado socialmente é outro incentivo para a mente desses jovens continuar ativa porque a conexão leva a novas experiências,com aprendizado impagável. Eles acreditam que essa conexão entre aprendizado e felicidade é indiscutível, um depende do outro para acrescentar, aprimorar e transformar. A capacidade dos millennials de se manterem curiosos, de colocar o medo à frente porque ele é combustível e de se apaixonar de um jeito simples e natural é o que está mudando a nossa visão de mundo, e é o que vai continuar guiando esse novo momento que se aproxima. E tudo isso tem a ver com o que eles estão aprendendo desde o primeiro choro, quando cortaram o cordão umbilical com suas mães para conquistar o que quiserem. Por falar em mães e pais, o papel deles nesse desenvolvimento é primordial porque eles estão criando filhos para serem especiais ao enfrentar cenários mais adversos do que os vividos pelos pais (o que faz os millennials serem rotulados como narcisistas de vez em quando, mas nunca alienados), e ao mesmo tempo criando a geração mais feliz de toda a história.

Os millennials nos ensinam que aprender ao longo da vida é usufruir de cada segundo que ela proporciona, com alegria, inspiração (porque eles valorizam também o que aprendem com os mais velhos), medo, insegurança e muita coragem. A verdade é que não sabemos direito o que vai acontecer depois da pandemia, mas eles estão mostrando que podemos voltar mais fortes, preparados para encarar de frente outros momentos desafiadores como esse, sem perder a vontade de aprender com as dificuldades. Eles estão aí ensinando para nós que é lindo ser visionário mesmo quando não conseguimos enxergar um palmo de futuro à nossa frente, e que investir em experiências ao invés de coisas materiais é o que vai nos deixar livres para continuar crescendo e aprendendo.

Lifelong Learning é um estado de espírito que impacta nosso crescimento pessoal, relacionamentos, carreiras e a sociedade como um todo, os millennials já sabem disso, e você, como está se preparando para quando a gente sair de casa para começar a aprender tudo de novo?