Em meio a tantos acontecimentos recentes relacionados a igualdade de gênero e racismo, a diversidade se torna um ponto-chave dentro das empresas

 

Se a gente concorda em alguma coisa é que a diversidade precisa ser uma pauta recorrente no universo corporativo, mas entre fazer um discurso lindo no site e colocar em prática na realidade da empresa, existe um gap gigantesco (infelizmente, em alguns casos, irreversível). Depois de episódios de racismo e desigualdade que ganharam voz no mundo todo, é hora das empresas prestarem ainda mais atenção no que estão fazendo para trazer a diversidade para dentro do ambiente de trabalho. E trazer é implantar, acreditar, compartilhar, viver as diferenças como um todo.

O que a gente traz neste post:

  • A diversidade é para todos?
  • Diferenças que incomodam acrescentam
  • Diversificar é lindo!

Olhe para o lado, enxergue cada um dos seus colaboradores. Se você vê neles essa celebração de ter pessoas diversas, diferentes e tão complementares por perto, você está fazendo um bom trabalho. Se ainda não está como deveria ser, nunca é tarde para mostrar que o seu negócio é, sim, para todo mundo.

A diversidade é para todos? 

O termo diversidade inclui várias vertentes relacionadas, como equidade, igualdade, representatividade. Mas empoderamento também pode ser considerada uma delas. Ser diferente é o que nos torna únicos, nos dá o poder de ser melhor e de evoluir com o outro, dentro e fora das empresas. Na vida, para ser mais amplo. Estamos falando sobre mulheres, pessoas negras, idosos, LGBTQ+, pessoas com deficiência e necessidades especiais que podem mudar a realidade de muitas corporações, só que não ganham a oportunidade de chegar lá.

Vamos olhar alguns números para você entender a importância do que estamos contando, pasmem:

  • 29% das empresas não possuem NENHUMA pessoa com DEFICIÊNCIA
  • METADE das empresas é composta majoritariamente por HOMENS
  • 1 em cada 4 profissionais avaliam que MENOS de 5% dos colegas são NEGROS
  • 44% das empresas não possuem NENHUM TRANSEXUAL em seu quadro
  • 37% dos profissionais afirma que já sofreu algum tipo de DISCRIMINAÇÃO na empresa em que trabalha
  • 8% teriam dificuldade em ter um chefe de RAÇA ou OPÇÃO SEXUAL DIFERENTE da dele
  • 9% acham que os HOMENS têm mais capacidade de LIDERAR do que MULHERES
  • 34% das empresas tem MENOS de 5% de profissionais com 50 ANOS ou mais
(fonte: Revista HSM Management + Opinion Box)

 

Preocupante, não acha?! E o que a sua empresa pode fazer para mudar essa triste realidade?

Empresas são feitas de pessoas – a SPUTNiK bate nessa tecla desde sempre! – e não só por isso a diversidade tem que ser prioridade em todas elas. A troca entre pessoas diversificadas é tão rica que se os empresários e empreendedores parassem para pensar nisso, jamais iriam discriminar ou favorecer esse ou aquele profissional, deixando as minorias de fora. 

Contribuir para a valorização e inclusão de todos os tipos de pessoas é papel da organização, e o líder tem uma importante atuação nisso. “A diversidade e inclusão nas organizações do Brasil”, uma pesquisa realizada pela Aberje, mostra que o amadurecimento do tema diversidade nas corporações vem acontecendo desde que o racismo se tornou crime no país, há 30 anos atrás, e a homofobia também foi criminalizada em 2019. Mas isso acontece a passos bem lentos. E vale a pena aqui, mais uma vez, trazer alguns dados relevantes. Nesse levantamento, 68% das empresas disse que melhorar a imagem e a reputação era a justificativa para promover a diversidade, junto com acompanhar mudanças estruturais da sociedade (63%), aumentar a eficiência interna (57%), qualificar a cultura organizacional (54%) e desenvolver soluções inovadoras (47%).

Sob o ponto de vista dos colaboradores, o que já começa a mostrar que o cenário está evoluindo, 57% afirmam que a preocupação com diversidade e inclusão no ambiente empresarial foi ampliada e se torna mais evidente através de programas internos que focam em empregar pessoas com deficiência, abordam o tema identidade de gênero, cor/etnia e orientação sexual. Mas, do outro lado, muitos ainda sofrem discriminação por inúmeras razões, até por causa da altura ou do peso (em 2020? É impressionante!).

Diferenças que incomodam acrescentam

A diversidade é um fator crucial para o crescimento das empresas, e vai além do que já citamos até aqui. A adoção da licença paternal, por exemplo, que acontece em alguns países do mundo, ainda não é comumente adotada no Brasil por um mindset que deixa a desejar. Em uma matéria sobre o tema na Época Negócios, a engenheira Manzar Feres, VP da Serasa Experian, relata que a sua experiência pessoal na cultura árabe, criada entre vários primos homens, a preparou para a cultura machista do mercado, e a fez abraçar a luta pelo empoderamento feminino nas empresas. Segundo ela, é confirmado que as mulheres geram mais valor aos acionistas, mas com casos como esse da licença para os pais, o sistema é ainda bem lento. Ela conta que os custos da inclusão dificultam convencer os altos líderes das companhias, que acreditam que assumir uma despesa extra é ficar para trás na concorrência.

“As iniciativas com foco na diversidade fazem diferença na atração e retenção de talentos.”

Manzar Feres

Agora, queremos trazer um exemplo positivo nesse sentido: ainda nessa matéria, o CEO da Siemens Brasil, André Clark, conta que a empresa tem buscado se reinventar, e implantou uma licença parental para todos os colaboradores homoafetivos que adotarem um filho no país, com custos patrocinados pela própria Siemens.

É nisso que sua empresa precisa se inspirar, em cases que mostram a amplitude que a diversidade traz, não somente para os colaboradores, mas para quem vem junto com eles também. Falando sobre o público LGBTQ+, e considerando que o Brasil caiu da 58ª para a 69ª posição no ranking de países mais seguros para os gays em uma lista de 197 nações, o ambiente de trabalho precisa ser, no mínimo, um espaço seguro para elxs. É preciso entender que diversidade gera criatividade, o que foi comprovado por uma pesquisa feita na China pela Nanyang Business School, mostrando que as empresas que estão em estados com leis contra a discriminação aos homossexuais aumentaram o registro de patentes em 8%. Isso só reforça a ideia de que os líderes devem incentivar essa cultura inclusiva, sendo referência em situações que seriam de preconceito para mostrar que ali, naquele ambiente, o ódio não tem lugar.

A conscientização de todos os envolvidos nos processos corporativos é o que vai criar esse sentimento de acolhimento, sem rotulação, agressão ou conflitos. Compartilhar conceitos importantes é uma boa estratégia, o que pode acontecer ainda mais amplamente quando se tem uma Universidade Corporativa para chamar de sua. Começar por tornar conhecidos os termos equidade e igualdade é uma boa ideia para trazer o seu time mais para perto, e aqui neste post nosso você vai encontrar bons caminhos para bater esse papo com o pessoal. Estratégias como essa são um convite para que todos possam se entrosar mais, trocarem vivências, descobrirem novas formas de aprimorar os relacionamentos. Vai por nós: vale muito a pena!

A troca é sinônimo de acrescentar, e isso tem tudo a ver com essa atitude de colocar os colaboradores mais unidos. Assim, as diferenças passam a ser tão ricas e motivadoras que, até quem um dia foi rude ou desfez de algum colega de trabalho, vai entender os benefícios que a diversidade traz para a empresa e para quem faz parte dela.

Diversificar é lindo!

Vamos falar da diferença racial, então?! Como dissemos ali em cima, os vieses são amplos na diversidade, mas esse é um ponto que merece cuidado. Em 2018, foi confirmado pelo IBGE que mulheres negras receberam menos da metade (44,4%) do salário dos homens bancos por todo o país. E também ganham menos do que os homens negros, esses superados não só pelos homens brancos, mas também pelas mulheres brancas. Para engrossar esse caldo, esses dados independem da escolaridade, e os pretos e pardos são dois terços dos desempregados nas estatísticas. Na distribuição de renda, eles representam 75,2% da camada mais pobre do Brasil.

Muita coisa precisa mudar. Mas se sua empresa entende o quão importante é a diversidade, e olha para todos esses dados com o espanto esperado, já é um pouco do caminho andado na criação de políticas, ações e estratégias que ganhem ainda mais valor através das diferenças. Quando você tem pessoas com backgrounds distintos, é mais fácil estabelecer uma sintonia com a nossa estrutura social, tão complexa e desigual. Novos pontos de vista diversos vão conseguir contemplar realidades mil. Isso sem falar em dar voz a quem está acostumado a ser silenciado, o que é bonito demais. Oferecer um lugar de fala é o que muitos profissionais precisam para virarem protagonistas na organização, e talvez até em suas próprias realidades fora dali.

O que vai surgir disso?

Soluções reais, propostas criativas, resultados inovadores! A diversidade gera inovação, desencadeia mudanças e coloca pessoas em espaços que elas não costumavam frequentar juntas. Aí, as empresas e seus colaboradores param de ver cor, aparência e escolha sexual para enxergar talento. É acolher mulheres, PcD, LGBTQ+, negros e brancos da mesma forma, sem distinção, apenas abrindo os braços para quem os profissionais realmente são, o conhecimento que trazem na bagagem, as ideias que vão acrescentar no processo. Tudo isso vai afetar a hierarquia da organização, o mindset, a cultura e, sem dúvidas, os lucros.

Empresas diversas alcançam números expressivos, ter diversidade na liderança é ampliar a visão e desbravar outros horizontes: a experiência dos mais velhos, a força de quem vem sendo oprimido, o empoderamento dos que estão na sombra sabe-se lá desde quando. Apoiar a diversidade é transformar a exclusão em potencial de inovação. É incentivar o intraempreendedorismo (falamos sobre isso aqui ó) para descobrir talentos que você nem sabia que tinha bem aí, bem perto e tão longe porque simplesmente fechava os olhos para eles.

Coloque uma variedade de visões de mundo em uma sala e você sairá do outro lado com ideias melhores. Diferentes formações, culturas, nacionalidades e perspectivas se encontram, todos compartilham uma abordagem além do trabalho e do problema em questão. É um benefício que conduz ao seu sucesso, alinhado com a produtividade e a eficiência que vem disso tudo. Mais do que isso, uma força de trabalho diversificada também oferece uma melhor compreensão dos seus clientes, que são, também, diversos.

Uma cultura de diversidade no local de trabalho ajuda bastante seus colaboradores a se sentirem incluídos, não importa quem eles são ou de onde eles vêm. Essa inclusão quebra barreiras e reduz o medo de ser rejeitado, não apenas como pessoas, mas como pensadores através das ideias que eles expressam.

Atentos a tudo isso, por exemplo, a SPUTNiK criou o curso Plural, que faz jus ao nome: nasceu para aplicar a diversidade na sua empresa de um jeito que você nunca imaginou. Quebrando paradigmas, deixando conceitos antiquados fora de vista, estabelecendo novos laços de trabalho focados na equidade que acontece de verdade. Queremos te ajudar a quebrar o silêncio para falar sobre questões urgentes e tão necessárias.

Sua empresa está pronta para abrir as cortinas para os novos protagonistas? A inclusão é o roteiro perfeito para ter sucesso de público, de aceitação e receber aplausos de pé, afinal quem acredita na diversidade merece um lugar no topo da transformação, que é híbrida, coletiva e plural.