Combinar o dom da calma com as competências sociais, emocionais e mentais de cada colaborador pode ser uma estratégia traçada para o benefício de todos (e assunto para um ótimo ebook!)

 

Em um mundo que se transforma o tempo todo, não teria como as pessoas ficarem no mesmo lugar. A cada passo para o lado, tudo muda: a sua forma de pensar e agir, o jeito que você se relaciona com o outro, a maneira com que atua no ambiente de trabalho. E se a gente deixar, a correria da rotina não só nos engole, mas nos tira do centro. Isso significa tirar você do seu estado mais sereno para se entregar aos stress do dia a dia no escritório (ou no home office), e numa fração de segundos, a paciência se esvai e o conflito se instala.

Mas espera: pare um pouco e respira.

Agora, vem descobrir o que a SPUTNiK descobriu em um mergulho profundo no estudo de como a paciência, combinada com as outras softs skills requeridas pelo mercado, pode diminuir a ansiedade que o trabalho causa e nos deixar imunes à impaciência de esperar que tudo volte ao normal. Mas o normal realmente existia antes da pandemia?

homem em um escada rolante que está descendo

O que você vai descobrir neste post?

  • Paciência: a habilidade mais desejada do século
  • A um passo de perder ter paciência
  • A paciência dá match com o office?
  • O trabalho pede um pouco mais de calma
  • E o colaborador, como fica?
  • Paciência: a habilidade mais desejada do século
  • Antes de começar essa leitura, respira fundo… Todo mundo está precisando de uma pausa.

 

Uma das coisas que a pandemia não mudou foi a velocidade que as coisas acontecem no seu trabalho. A agenda está cada dia cheia de calls, novas estratégias precisam ser criadas, as entregas são urgentes, os compromissos não podem esperar. Literalmente, tudo acontece ao mesmo tempo agora. E a primeira coisa que a gente costuma perder em tempos como esse é a paciência. Seja no trabalho ou nos relacionamentos pessoais, essa se tornou mais do que uma virtude. A paciência é, hoje, uma soft skill indispensável em qualquer função que se exerça. E foi exatamente pela importância que essa habilidade ganhou que a SPUTNiK saltou no mar calmo da paciência para estudar um tema do qual se fala tanto, mas pouco se sabe sobre.

Em tempos incertos para profissionais e empresas, descobrimos que, ao invés de deixar a ansiedade dominar a rotina de trabalho, ceder lugar à calma pode ser transformador. Essa pesquisa, nesse cenário, se torna ainda mais útil porque a paciência é uma das habilidades que mais precisamos desenvolver agora. Na essência dos indivíduos, a volatilidade cria a ansiedade, e agora, de uma forma ou de outra, nos vemos isolados. Esse distanciamento é a faísca para a paciência desandar. Mas isso só acontece se você deixar.

A um passo de perder ter paciência

Quantas vezes você se viu a ponto de explodir de nervos diante de uma tarefa, um prazo apertado, um cliente difícil? Isso pode acontecer todo dia. Ou não. Um estudo realizado em 2012 identificou três aspectos da paciência: a que está relacionada ao trato com as dificuldades da vida, aquela que lida com aborrecimentos cotidianos, e a paciência interpessoal relacionada à nossa conexão com as outras pessoas. Por outro lado, o oposto da paciência é a impaciência, que pode ser definida como a incapacidade (mesmo que momentânea) de suportar uma imperfeição percebida – sua, do outro ou de um grupo. A impaciência pode ser vista como uma rejeição ao modo como as coisas realmente são. Mas como lidar com isso em um dia a dia tão atarefado e estressante?

O segredo, aqui, é transformar essa impaciência em calma, e a calma em uma das suas mais potentes soft skills (se quiser dar uma olhada em tudo o que a SPUTNiK já falou sobre as tão famosas habilidades do futuro, clica aqui ó). Por falar em calma, respirar fundo pode tornar as pessoas até mais bem-sucedidas de acordo com o que revelou uma pesquisa do Journal of Organizational Behavior and Human Decision Processes. O estudo revelou que uma das melhores estratégias para lidar com o imediatismo é a paciência como uma virtude capaz de reforçar o valor das coisas e ser uma motivação para esperar algo acontecer, o que pode trazer grandes gratificações e preceder o sucesso pessoal e profissional.

“O ato de esperar para escolher entre duas opções fortalece a paciência de um indivíduo e pode aumentar a preferência pela escolha maior/posterior em relação à menor/mais cedo. Existem grandes recompensas para aqueles que podem adiar a gratificação. Essas pessoas estão se saindo melhor na escola, conseguem empregos melhores, têm relacionamentos sociais mais gratificantes e estáveis, e assim por diante. A paciência e o autocontrole predizem o sucesso na vida, pelo menos tanto quanto ser inteligente.”
Ayelet Fishbach & Xianchi Dai

Vamos falar a seguir sobre o mix perfeito entre a calma e a rotina de trabalho, e o MATCH pode ajudar na gestão de diálogos e conflitos, sempre mantendo o foco na conexão que destrói muros e cria pontes 🙂

 

A paciência dá match com o office?

Essa é uma boa pergunta, principalmente agora que a gente precisa trabalhar com os nossos times separados por uma tela. No sossego do seu home office, às vezes não tem como evitar a falha na conexão, a família conversando no background, o e-mail que não chega do outro lado, o orçamento que você já ligou 5x para solicitar, o relógio que não para de acelerar aquele prazo quase impossível de cumprir. Tudo pode ser um gatilho para destruir sua paciência que já está por um fio.

A gente te convida a fazer outra pausa aqui: se você se deixar perder a calma por coisas pequenas e corriqueiras, quando você realmente tiver uma chance de se estressar de verdade, vai estar tão cansado que a sua única reação vai ser explodir.

Em um cotidiano cada vez mais parecido com uma panela de pressão, a paciência é a soft skill que vai te salvar e te trazer para o eixo de onde você nunca deveria ter saído. Para os psicólogos Philip Zimbardo e John Boyd, o tempo em que vivemos tem uma grande influência na forma com a qual a gente reage e toma atitudes diante de situações diversas, e se manter estável e consistente no presente é o que vai conduzir você a ter melhores consequências com suas ações. Até mesmo nos relatórios da UNESCO a paciência aparece entre os atributos relacionados à nossa capacidade de autoajuda a favor do nosso desempenho no trabalho, junto com a criatividade, flexibilidade, coragem, pensamento positivo e inovação. E isso tudo trabalha contra o estresse, o maior inimigo da produtividade e dos ótimos resultados. Mais do que isso, essas virtudes estão intrinsecamente relacionadas com a saúde mental do profissional e, claro, com o seu bom desempenho no ambiente de trabalho, relacionamento com colegas e lideranças.

Dá uma conferida nesse SPUTKAST sobre esse bendito match: é possível ou não ser paciente no trabalho?

 

O trabalho pede um pouco mais de calma

Em nosso ebook, a gente traz alguns caminhos possíveis de se encontrar (e manter!) a paciência quando o assunto é o trabalho. Começando pelo tempo, que é o cerne da nossa preocupação atual considerando o dinheiro e a tecnologia como paradigmas que podem ser desconstruídos. O mais importante sobre o tempo nesse contexto? Entender que ele não é nosso inimigo e não precisa ser fadado à exaustão na rotina das tarefas, prazos e responsabilidades. O que isso tem a ver com a tecnologia? Só você pensar em como o seu smartphone, redes sociais e chats tiram a sua atenção do que realmente importa. Difícil imaginar nossa rotina sem o telefone, mas não tem como negar que os gadgets são uma tentadora distração, concorda?!

De acordo com Andréia Matos, a pesquisadora que mergulhou com a gente no tema para criar o ebook, a capacidade de concentração dos humanos está cada vez mais reduzida.

“Em um ambiente onde estamos acostumados à comunicação instantânea e acesso imediato aos dados, qualquer espera é um problema crescente. Afinal, quando o tempo é um recurso escasso, a paciência se torna rara.”
– Andréia Matos

O ambiente, seja social, histórico ou bem aí no seu local de trabalho, determina a nossa percepção das coisas, e com tantos estímulos durante a sua rotina, todo santo dia, o treinamento para se manter concentrado é quase um esforço de monge. Por falar nisso, a gente bateu um papo bem interessante nesse SPUTKAST com a monja budista Heishin e a Bianca Dallegrave, uma mãe e profissional, sobre como a paciência pode ser aprendida. Dentro dessa cultura pulsante do imediatismo, termo criado por Douglas Rushkoff, precisamos aprender a não apagar o passado, as experiências e toda a bagagem que você traz como pessoa e profissional, ou se perder na rapidez de se chegar a um futuro num tempo em que tudo muda o tempo todo. É preciso viver o presente sem a ansiedade do que vem a seguir para conseguir ter foco no que precisa ser feito agora, na solução a ser criada hoje, na inovação que pode ser colocada em prática em poucas horas. O ritmo, um outro caminho explorado na nossa pesquisa, pode ser frenético porém ser perder os movimentos que pregam os valores de uma vida mais lenta considerando que ser paciente não é apenas saber esperar, mas manter a constância e a atenção às tarefas, além de respeitar o tempo das coisas e do outro.

“Para ver quem está construindo o futuro, encontre as pessoas que estão se divertindo mais.”
– Douglas Rushkoff

 

E o colaborador, como fica?

Nosso estudo também mostrou que, quando você perde a paciência no trabalho, isso pode ser o resultado de algo que não conseguiu resolver consigo mesmo, e sentimentos reprimidos podem vir à tona (e até gerar doenças psicossomáticas). Quando falamos sobre paciência no trabalho, estamos falando sobre o indivíduo e o seu poder de não gastar todas as suas energias em uma só tarefa, tentando controlar o que não tem controle. Falamos sobre escutar o que o outro tem a dizer, tendo a paciência de saber que não somente as suas ideias podem ser transformadoras. É falar sobre agir menos como máquinas, respirar fundo e agir com consciência.

Investir na paciência é colocar como prioridade uma soft skill que pode te levar além do que você imagina (da porta para dentro do escritório, e da porta para fora na vida!). Suas habilidades socioemocionais transpõem as capacidades técnicas, e trabalhar de um modo sensível é o que vai fazer as empresas olharem para os profissionais sob um novo olhar. Um colaborador paciente sabe se comunicar com os outros com inteligência emocional e sensibilidade (o curso InSANO é uma ferramenta surpreendente para descobrir que ninguém precisa se matar para ser feliz e produtivo no trabalho, vale um check!).

Para exercitar a sua paciência, tente:

  • Reconhecer que você está sendo impaciente e identifique qual emoção está te conduzindo por esse caminho.
  • Mudar a maneira como encara cada situação no dia a dia de trabalho.
  • Manter seus objetivos e os da empresa em mente para não os perder de vista no meio da jornada.

É verdade que a paciência tem limites, mas isso não significa que ela tem que se esgotar rapidamente. Ela flerta com a boa convivência, faz o seu time não se afobar para cumprir os objetivos, transforma uma possível discussão em uma conversa produtiva da qual todo mundo sai ganhando. Você pode se surpreender com tanta ciência que há por trás da paciência no mercado de trabalho e em vários outros aspectos! É a virtude que está nos ajudando a lidar com um cenário inesperado de mudanças e profundas incertezas para gerenciar um tempo cada vez mais escasso. Um lembrete para não esquecer é que a resiliência anda de mãos dadas com a paciência, e isso significa que a gente tem muito mais a ganhar quando encara as coisas de frente, com calma, do que quando perdemos as estribeiras. Levante a bandeira branca quando o pavio no seu trabalho começar a queimar, faça um convite para que os olhares se voltem para a tão sonhada (e possível) paciência. Precisa de uma ajudinha? É só você mergulhar com a gente nesse ebook completo sobre paciência. Vem que esse mar está de portas abertas para você!