Vivemos tempos incertos onde tudo muda o tempo todo. E não tem nada de errado em se sentir esgotado, mas é importante descobrir os gatilhos no ambiente de trabalho para priorizar o bem-estar físico e emocional  

 

A saúde mental se tornou uma das prioridades não só dos profissionais do futuro, mas das empresas que querem ser espaço de diálogo e crescimento mútuo, que se importam com seus colaboradores e querem oferecer o apoio que eles precisam para se sentir bem dentro e fora do ambiente corporativo. Tanto como empresa e como profissional, é importante estar atento ao que afeta a saúde e impacta nos resultados. A SPUTNiK buscou dicas interessantes para evitar o esgotamento e o burnout, e vamos contar tudo a seguir.                                                                        

Parede de folhas onde é possível ler "breathe" em neon

O que você vai descobrir neste post:

  • Saúde mental em pauta
  • Abra as portas para o diálogo
  • Riscos para a saúde mental no trabalho
  • Pressão versus prevenção
  • Um ambiente marcado pelo bem-estar
  • O bem-estar é inspirador!

 

Saúde mental em pauta

A saúde mental é definida como um estado de bem-estar em que o indivíduo está ciente de suas próprias habilidades para enfrentar as tensões normais da vida, trabalhar de forma produtiva e contribuir com a sua comunidade. É tudo o que envolve o equilíbrio psicológico, cognitivo e emocional do ser humano, em todos os ambientes em que ele circula. Hoje, em meio a uma pandemia e vivendo uma nova realidade de trabalho, os profissionais e as empresas estão cada vez mais preocupados em cuidar da saúde mental como uma prioridade nessa preparação contínua e resiliente para administrar situações diversas com controle emocional e comportamental.

É interessante, aqui, a gente destacar alguns números importantes para entender o cenário da saúde mental no Brasil e no mundo. De acordo com a OMS, 322 milhões de pessoas (4,4% da população) sofrem de depressão e 264 milhões (3,7% da população) lidam com a ansiedade no mundo, sendo o Brasil o segundo país mais depressivo da América Latina (11,5 milhões de brasileiros), atrás apenas dos Estados Unidos. Nos EUA, 58% das pessoas se sentem desmotivadas no trabalho, 50% dizem estar lidando com estresse dentro das empresas, o que os leva a criar hábitos não-saudáveis, e 37% dizem que o ambiente organizacional contribui para o aumento dos sintomas característicos de problemas relacionados à saúde mental. A cada ano, cerca de 5 milhões de mulheres lidam com a depressão no mercado de trabalho americano, e um número alarmante se relaciona com a abertura para tratar os problemas com seus líderes: 54% delas afirmam que, com medo de discriminação, não se sentem confortáveis em discutir os problemas no local de trabalho.

“Para cada US$1 investido em tratamento intensivo para transtornos mentais comuns, há um retorno de US$4 em melhoria da saúde e produtividade.”

– OMS

 

Abra as portas para o diálogo

Deixar os colaboradores confortáveis para se abrirem sobre os problemas com os colegas e líderes é um dos desafios das empresas do futuro aqui e no mundo todo. A saúde mental tem tudo a ver com o bem-estar, e quando você trabalha para uma empresa que promove a motivação e o envolvimento, é mais provável que esteja em um ambiente de trabalho saudável. Além disso, vai encorajar fortemente as pessoas a não ficarem mais em silêncio. Falar sobre saúde comportamental é desafiador, mas necessário, e pode salvar vidas. Os profissionais lidam com questões estressantes em seus empregos o tempo todo e, às vezes, é impossível evitar que isso tenha um impacto negativo em seu humor, produtividade, relacionamentos dentro e fora do local de trabalho e, claro, em sua saúde.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia divulgou que a síndrome Takotsubo, conhecida como cardiomiopatia do estresse, é desencadeada não por bloqueios na corrente sanguínea que caracterizariam um ataque cardíaco, mas por eventos que levam a pessoa a se sentir esgotada. Durante a pandemia do COVID-19, o aumento de casos foi cinco vezes maior do que em períodos anteriores. “A pandemia por Covid-19 por si só gera grande estresse emocional, como acontece também em situação de guerra. A emergência em saúde devido ao novo coronavírus pode estar aumentando o número de infartos, de crises hipertensivas, de pessoas obesas, com ansiedade e depressão, em função de todo o contexto da pandemia, que causa falta de perspectivas e mudança de hábitos. Tudo isso leva a uma condição final de extremo estresse, que é gatilho para o desenvolvimento da síndrome de Takotsubo em indivíduos que têm predisposição genética”, explica o cardiologista Marcelo Westerlund Montera, coordenador do registro nacional da doença da SBC. Nesse contexto efêmero e incerto, as empresas que reconhecem a sua importância no cuidado com o profissional, evitando um ambiente corporativo negativo ou tóxico, saem à frente para prevenir desgastes cognitivos dos colaboradores.

“Agora, o estresse da pandemia, do medo do vírus à perda de emprego, com a condição psicossocioeconômica das pessoas, não é difícil imaginar por que motivo a cardiomiopatia por estresse aumentaria.”
– Evandro Mesquita – Presidente do Departamento de Insuficiência Cardíaca

 

Riscos para a saúde mental no trabalho

Ainda de acordo com a OMS, muitos são os fatores de risco para a saúde mental que podem estar presentes no ambiente de trabalho, a maioria deles relacionada às interações entre o tipo de trabalho, o ambiente organizacional e gerencial, as habilidades e competências dos funcionários e o suporte disponível para os funcionários realizarem seu trabalho. Por exemplo, uma pessoa pode ter as habilidades para completar tarefas, mas pode ter poucos recursos para fazer o que é necessário, ou pode haver práticas gerenciais ou organizacionais que não o apóiem.

Os riscos para a saúde mental incluem políticas inadequadas de saúde e segurança; má comunicação e práticas de gestão; participação limitada na tomada de decisões ou baixo controle sobre sua área de trabalho; baixos níveis de suporte aos colaboradores; jornada de trabalho inflexível; e tarefas ou objetivos organizacionais pouco claros. A partir de pesquisas e investigações, o Fórum Econômico Mundial ressalta que esse “novo normal” imposto pela pandemia pode transformar a natureza do trabalho no que diz respeito ao bem-estar e saúde mental. Como cada indivíduo tem interesses e preocupações únicos a tratar, cada empregador deve moldar a cultura em sua própria força de trabalho, e essa cultura deve incluir a criação de ecossistemas nos quais os funcionários possam prosperar física e mentalmente, possam aprender com as motivações dos líderes, compreendendo as novas oportunidades não como problemas mas como desafios ricos em aprendizado. É preciso implementar políticas e práticas de saúde e segurança, incluindo identificação de sofrimento, uso nocivo de substâncias psicoativas e fornecimento de recursos para gerenciá-los; além de informar que o suporte está disponível, envolvendo os colaboradores na tomada de decisões, o que transmite a sensação de controle e participação. Investir em práticas organizacionais que apoiam um equilíbrio saudável entre vida pessoal e profissional, e programas de desenvolvimento de carreira dos funcionários é outra forma de reconhecer e recompensar os esforços individuais e coletivos.

Continue lendo esse post que vamos trazer mais dicas bacanas para desenvolver um ambiente propício ao bem-estar. Vem com a gente!

“As intervenções de saúde mental devem ser realizadas como parte de uma estratégia integrada de saúde e bem-estar que cobre a prevenção, identificação precoce, apoio e reabilitação.”

– OMS

 

Pressão versus prevenção

Conseguir transformar a pressão do dia a dia no trabalho em estratégias de prevenção é um dos passos que levam a um ambiente mais saudável e produtivo, considerando que as pressões têm forte efeito sob o emocional do indivíduo, comprometendo a saúde física e psíquica, reduzindo a performance dos times e afetando ainda as taxas de demissão. O stress é um dos primeiros sinais do burnout, o esgotamento mental que já afeta 44% dos profissionais brasileiros. Quando os indivíduos se sentem pressionados a apresentar resultados e ser cada vez mais eficientes, geralmente ocupando funções em ambientes competitivos, a pessoa pode passar a duvidar de sua própria capacidade em alcançar os resultados esperados. Isso gera um ciclo vicioso de baixa autoestima a cada demanda que chega, e os problemas vão se multiplicando até a pessoa pifar.

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Criar um ambiente livre de pressões significa cultivar os bons relacionamentos, impulsionar o aprendizado colaborativo, que foge às dispersões, que engaja cada colaborador porque eles se sentem parte fundamental nos times de alta performance e apostam no foco como uma forma de otimizar a produtividade. Mais do que o aumento dos custos empresariais, o burnout afeta o convívio harmonioso na organização, deixando os colaboradores vulneráveis a problemas que poderiam ser simples, mas são enfatizados pela faísca do estresse. Um equipe desengajada e insatisfeita é um dos piores cenários que a empresa pode enfrentar, mas todos juntos podem se esforçar para ajudar uns aos outros. Olha só essas dicas!

 

Um ambiente marcado pelo bem-estar

Um ambiente corporativo saudável é o contrário de um local que não reconhece o sucesso individual, que prega a inflexibilidade e que onde a comunicação não tem vez. E como evitar que a sua empresa se torne uma inimiga do bem-estar?

  • Crie um programa de saúde mental

Assim como a gente sempre fala sobre ser um espaço de aprendizado coletivo, a empresa precisa ser também local de acolhimento. Os colaboradores sentem que fazem parte de uma equipe que está aberta a ouvir, a abrir os braços para acolher quem está passando por momentos difíceis. Ao implantar um programa que foque na saúde mental dos profissionais, a empresa mostra que, mais do que se preocupar, está disposta a encarar os desafios de mãos dadas. Essa é uma forma também de integrar e engajar os times em uma conversa aberta (mesmo que online durante o trabalho remoto) sobre o que deixa as pessoas mais felizes e satisfeitas no trabalho.

  • Cultive um ambiente saudável

Essa é uma tarefa de todos: todo ambiente de trabalho está sujeito à ansiedade, situações estressantes, erros, decepções. Mas podemos enfrentar desafios de uma forma tranquila, e está tudo bem em ser imperfeito (todos nós somos!). Estar vulnerável é, inclusive, uma maneira saudável de olhar para si mesmo, como pessoa e profissional, para saber o que você mesmo quer melhorar. A vulnerabilidade está ligada à empatia: quando você se olha, enxerga melhor os outros ao redor para ter relacionamentos mais saudáveis. Em um ambiente inovador, aberto e acolhedor, as pessoas se sentem mais estimuladas e seguras para compartilhar.

  • Capacite os líderes

Saber escutar mais do que falar: essa é uma habilidade dos líderes que estão preparados para identificar e lidar com as agruras da sua equipe. Esse líder não hesita em agir quando percebe que algo está gerando algum tipo de estresse e ansiedade, ele demonstra confiança, atua com respeito e caminha lado a lado com seus profissionais.

  • Implante políticas de bem-estar

Investir na saúde mental do profissional é oferecer o acompanhamento psicológico que ele precisa para enfrentar as pressões da rotina. Esse acompanhamento acontece junto com a garantia de cargas de trabalho compatíveis com a capacidade de realização das pessoas, com intervalos de descanso, com, flexibilidades maiores de horário no home office, com um auxílio financeiro para que os colaboradores possam investir em momentos de lazer. Realizar atividades laborais em grupo também é uma estratégia que pode trazer resultados muito gratificantes!

Foco nas mãos de mulher segurando uma flor amarela

  • Estimule feedbacks

O feedback é um motivador por mostrar a cada profissional as suas qualidades e pontos que podem ser melhorados, em bate-papos casuais e descontraídos. Ao mesmo tempo em que sua empresa ajuda a corrigir falhas, ela estimula a autoconfiança e o desempenho. Lembra que uma das primeiras dicas foi sobre cultivar um ambiente saudável? O feedback é uma ótima ferramenta para isso!

  • Ofereça terapias de autoconhecimento

Olhar para si é investigar sentimentos, necessidades, desejos e aflições. O autoconhecimento ajuda os profissionais a ter consciência de suas virtudes, potencialidades e do que cada um quer aprimorar para ser melhor dentro e fora do ambiente de trabalho. Quando olhamos para dentro, enxergamos o lado de fora de um jeito mais saudável, e isso é gratificante. Através de terapias com foco no autoconhecimento, você vai entender os seus gatilhos de ansiedade e estresse para encontrar meios de como lidar com eles. Até a inteligência emocional vai ser potencializada quando você decide focar em si mesmo e no seu bem-estar. As terapias holísticas vêm sendo usadas em empresas para fortalecer a saúde mental e física de seus colaboradores, e várias técnicas podem ser abordadas como a meditação, a yoga e o thetahealing.

  • Fomente a conscientização coletiva

Campanhas internas são ótimas para dar início a conversas saudáveis e colaborativas, nas quais as pessoas podem trocar experiências e adotar, juntas, práticas que auxiliem na melhoria da saúde mental de todos. Pode-se organizar monitorias, palestras, circuitos de wellness e atividades mais lúdicas. Tudo vale a pena para manter as pessoas motivadas e envolvidas, afinal sem as pessoas não existe cultura organizacional que sobreviva, e sem boas relações não há propósito nem interação.

  • Incentive a prática de exercícios físicos

Se exercitar é tirar um tempo para si e para sua saúde, e muito se engana quem pensa que a atividade física beneficia somente o corpo. Quando você pratica exercícios físicos, você alivia a sua mente das pressões, trabalha a respiração e até mesmo a paciência, que é uma das soft skills mais buscadas em tempos de isolamento social. Ah, e se quiser aprofundar um pouco mais no tema paciência, dá uma olhadinha no nosso ebook (que é maravilhoso!).

 

O bem-estar é inspirador!

Todo profissional merece um ambiente de trabalho que inspire, no qual ele se sinta seguro, valorizado e, mais do que isso, visto. Hoje em dia, cada vez mais empresas veem a saúde mental como crucial para o sucesso de todos. Eles já estão cientes do desafio de abordar corretamente a saúde mental e acreditam que tempos difíceis como a pandemia podem ajudar o mercado a perceber que os colaboradores precisam trabalhar mais próximos de seus líderes, ainda mais quando não podem estar fisicamente juntos.

Se você está se sentindo esgotado, não tenha medo de compartilhar, se abrir, pedir ajuda. Se sua empresa ainda não tiver um grupo de saúde mental, você pode sugerir que criem um. Você pode não ser o único a lidar com os problemas, mas pode ser o primeiro a mudar seu local de trabalho para melhor!