Nem todo mundo nasceu para a liderança, certo? Bom, em partes sim. Entre algumas pessoas ser o gestor é um papel natural, mas para muitas outras essa é uma habilidade a ser desenvolvida, assim como quase tudo na nossa vida. A boa notícia é que hoje ficou muito mais fácil conter a adrenalina e abraçar seu lado líder sem medo. Em Virei gestor, e agora?, por exemplo, voltamos para o básico antes do grande passo. A SPUTNiK realiza um convite ao autocuidado, conectando hard e soft skills dos alunos que vão ser decisivos para colocá-los à frente das grandes mudanças do mercado, guiando-os para se verem como líderes que acolhem e desenvolvem os talentos do time.

A seguir, vamos contar um pouquinho sobre uma ideia que está tomando conta do hype dos estudos de gestão: o pipeline de liderança, formado por um complexo de etapas que analisam as nuances da liderança de ponta a ponta. Vamos conhecer?

Não é um bicho de sete cabeças: entenda o conceito de pipeline de liderança

Esse conceito não caiu do céu: o pipeline de liderança é uma resposta às novas demandas do mercado. É um conceito que responde aos anseios de uma liderança mais horizontal e humanizada, mas, ainda assim, gestora.

Criada pelo consultor de negócios americano Ram Charam, a teoria do pipeline de liderança é um modo de olhar para a função de líder modo personalizado. Seus principais conceitos estão reunidos no livro “Pipeline de Liderança: o desenvolvimento de líderes como diferencial competitivo”, escrito pelo consultor junto com Stephen Drotter e James Noel. Só para entender, pipeline é uma expressão inglesa que significa uma tubulação com diversas saídas, sendo muito utilizada na área de TI para a otimização de processos. Charam usa a palavra como metáfora para explicar que a liderança é apenas um ponto de partida e que dela podemos encontrar caminhos diversos, de acordo com objetivos, avanços e desafios enfrentados por cada profissional e líder em potencial. Cada canal do pipeline, portanto, é uma jornada ou uma transformação a ser enfrentada pelos profissionais.

Ser líder é estar, portanto, em constante evolução. É um processo fluido, dinâmico e, por vezes, inesperado. Mudanças, comportamentos e prioridades estão sob constante questionamento. E seguindo três métricas importantes:

  • Aptidões: Quais são as habilidades que o líder já tem? Quais são aquelas que ainda precisam ser desenvolvidas?
  • Tempo: Como gerenciar os novos horários que a liderança exige? 
  • Valores/Propósitos profissionais: O que move o líder, quais são suas prioridades enquanto está à frente da equipe? Estão alinhados ao que a empresa precisa? 

Mas, e aí: como aplicar o pipeline de liderança na minha empresa?

A partir dos indicativos mencionados, os autores identificam seis camadas na trajetória do líder dentro da lógica do pipeline de liderança. Todos eles seguem a lógica do liderar a si mesmo para liderar aos outros e, a partir disso, observamos quais degraus ou transições que são percorridos:

De gerenciar a si mesmo a gerenciar outros – Etapa em que há a mudança de ser líder de si para ser líder dos outros. Aprende-se os conceitos básicos para assumir a sua primeira equipe. Começamos com profissionais que começam a se destacar no trabalho equipe, tanto pelas suas hard skills como pela sua capacidade de mediação e proatividade diante de situações emblemáticas. Agora ele precisa desenvolver a capacidade de delegar tarefas, selecionar e distribuir funções, avaliar o desempenho do time e também a mantê-lo de pé, motivado e disposto a realizar altas performances. 

De gerenciar os outros a gerenciar gestores – O líder passa a sair da sua caixinha e é responsável por gerenciar gerentes de outros times da empresa. É preciso ter um mindset de coaching ao procurar identificar quem de fato ainda pode continuar a ser gestor e ao desenvolver uma escuta ativa para ouvir seus desafios diante do time. 

De gerenciar gestores a gerente funcional – Comunicação é a habilidade que está em jogo. É preciso saber dialogar com áreas que não são tão conhecidas, mas estão sob a alçada do gestor. É uma etapa de amadurecimento, em que, geralmente, o líder assume grandes departamentos da empresa. 

De gerente funcional a gerente de negócios – A transição mais importante. O líder passa a ter um olhar de dono sobre os resultados financeiros da empresa, precisando desenvolver autonomia e intuição como habilidades básicas para a liderança. Ele terá sob sua responsabilidade o controle das métricas mais importantes e precisará mediar diversos conflitos de interesse entre as áreas. 

De gerente de negócios a gerente de grupo – É preciso ter uma visão múltipla, analisando as estratégias das diversas facetas dos negócios. Geralmente é a etapa percorrida por quem precisa desenvolver liderança em vários negócios distintos. 

De gerente de grupo a gestor corporativo – Os líderes passam a pensar no todo. O que está em jogo é o modo como seus valores estão alinhados ao que a empresa precisa alcançar em termos de desempenho e impacto. Aqui, ele já quase que personifica a marca da empresa. E precisa assumir esse papel de forma protagonista.

Pronto, agora que você já sabe o básico, não precisa ter receio de estudar mais aprofundadamente o pipeline de liderança. Uma coisa é certa: com o modelo será mais fácil implementar planos de carreira e construir, consequentemente, uma equipe de gestão mais comprometida e satisfeita com o seu lugar na empresa.